No seguimento do seu comunicado de 11 de Janeiro de 1999, há um ano atrás, e após o início da construção de mais dois parques de estacionamento subterrâneos na Baixa lisboeta (no Largo de Camões e na Praça da Figueira) e o anúncio pela Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL) da sua intenção de construir um silo para estacionamento no Campo das Cebolas, a Quercus vem reiterar a sua posição contra estes empreendimentos.

 

A Baixa é a zona de Lisboa melhor servida por transportes públicos. É, por outro lado, uma zona intensamente poluída pelo tráfego automóvel. É necessário, e viável, dissuadir as pessoas de se deslocarem à Baixa em automóvel, encorajando-as a deixar o veículo estacionado na periferia e a virem para o centro em transportes colectivos.

 

A construção de parques de estacionamento na Baixa lisboeta tem o efeito oposto. Os parques, que se destinam em grande parte a estacionamento por períodos temporais curtos, facilitam aos automobilistas o acesso ao centro da cidade, desincentivando-os da utilização dos transportes colectivos. A construção de parques, sejam eles subterrâneos ou em altura, é arquitectonicamente problemática, sobretudo na parte antiga e turística da cidade. Numa perspectiva de longo prazo, ela cria interesses instalados que dificultarão um passo que se tornará necessário, a pedonalização progressiva de ruas e praças da Baixa. Neste caso encontra-se em particular a Praça da Figueira que, conforme por nós já proposto, deveria ter acesso reservado exclusivamente aos peões e transportes colectivos.

 

Não podemos deixar de ficar particularmente chocados com o recente anúncio de que a EMEL – empresa que tem sido responsável por um progressivo ordenamento do estacionamento na cidade – se prepara para colaborar numa política de estacionamento errónea, com a construção de um silo no Campo das Cebolas. A Quercus denuncia a política dupla e tortuosa da Câmara Municipal de Lisboa que, se por um lado afirma pretender incentivar o estacionamento automóvel apenas na periferia da cidade, por outro lado apoia a construção de parques de estacionamento no centro, tendo já assumido diversos compromissos com empresas privadas nesse sentido.

 

Estamos de acordo com a necessidade de construir parques de estacionamento destinados aos residentes nas partes históricas da cidade. No entanto, os parques existentes e em construção, pela sua política de preços, têm antes por principal público-alvo as pessoas que residem fora da zona central da cidade e que a ela se deslocam de automóvel. É esta política que condenamos.

 

Compreendemos que os parques ora em construção resultam de compromissos assumidos por vereações anteriores, desejosas de resolver, numa simples visão de curto prazo, o problema em que o estacionamento se transformara. Urge no entanto inverter esta política, sob pena de se estar a criar, a longo prazo, problemas de trânsito e poluição ainda maiores.

 

A Quercus está contra a construção de mais parques de estacionamento na Baixa lisboeta. Queremos uma política que privilegie os transportes colectivos como modo preferencial de deslocação dentro da cidade, sobretudo nas viagens diárias casa-trabalho.

 

A Direcção do Núcleo Regional de Lisboa

 

Lisboa, 18 de Janeiro de 2000

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