Encerramento da Central Nuclear de Almaraz| - 2008 foi ano negro para Espanha em termos de acidentes com centrais nucleares - Central conjunta entre Portugal e Espanha é inviável

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza – vai estar presente no sábado, 13 de Setembro, na manifestação antinuclear em Almaraz, a partir das 17h30 (hora portuguesa). Da comitiva portuguesa constarão representantes de vários Núcleos Regionais da Quercus – ANCN.

 

Pelo encerramento da Central de Almaraz

 

Uma vez mais a Quercus vai juntar-se a diversas associações ecologistas e movimentos espanhóis que lutam pelo encerramento desta central nuclear, que fica situada junto ao rio Tejo, na província de Cáceres em Espanha, perto da fronteira com Portugal.

 

Esta manifestação surge numa altura em que alguns pretendem (re)lançar o debate sobre a construção de centrais nucleares em Portugal. A Quercus está disponível a participar nos debates que sirvam para esclarecer a população portuguesa sobre o tema e aproveita oportunidades como esta para divulgar alguns dos problemas desta forma de produção de energia, como sejam: a existência de sucessivos acidentes, nem sempre declarados de forma transparente à população e às autoridades, ou a ausência de solução para os resíduos produzidos.

 

Do lado espanhol o ano de 2008 foi um dos mais negros para a energia nuclear: houve 32 incidentes em 5 centrais nucleares. 3 desses incidentes ocorreram em Almaraz durante o ano de 2008 (1)

 

O Conselho de Segurança Nuclear Espanhol propôs uma multa de 22,5 milhões de euros por o consórcio Iberdrola-Endesa ter ocultado uma fuga radioactiva que ocorreu em Novembro na central nuclear de Ascó (Catalunha), mas que só foi divulgada em Abril. O mesmo consórcio já tinha sido multado em 2004 em 1,4 milhões de euros por também ter ocultado uma fuga radioactiva.

 

Em Almaraz acidentes como o ocorrido em Maio último, onde foram libertados cerca de 30 000 litros de água radioactiva, o que obrigou à evacuação do pessoal do recinto de contenção, bem como ao tratamento posterior dessas águas e sua libertação no rio Tejo, apenas vêm reforçar a importância de se proceder ao encerramento da central na data prevista – 2010. A Quercus manifesta grande preocupação com as movimentações para um prolongamento deste prazo.

 

Os resíduos produzidos pela central continuam depositados junto da mesma, não existindo até hoje qualquer solução para os tratar, situação que não ocorre apenas em relação a esta central nem tão pouco em relação apenas a Espanha. De facto, não existe nenhum país no mundo que tenha resolvido o problema da deposição segura dos seus resíduos, não obstante os avultados investimentos já realizados nesta área.

 

Assim, a Quercus apoia todas as medidas que possam ser tomadas para levar ao encerramento imediato de infra-estruturas que acarretam enormes riscos em termos ambientais, sociais e económicos, como é o caso da central nuclear de Almaraz.

 

A inviabilidade de uma central conjunta

 

Recentemente, em mais uma tentativa de voltar a introduzir a energia nuclear no debate energético português, foi avançada a hipótese de Portugal construir e explorar uma central nuclear em conjunto com Espanha. Contudo, há alguns dados fundamentais que não foram considerados por quem apresentou tal hipótese:

 

1.    A estratégia portuguesa para a energia, como o próprio Governo sublinhou recentemente de forma clara, não contempla a energia nuclear; a aposta está a ser feita a outro nível – nas renováveis e, espera-se, também na eficiência energética, embora aí ainda estejamos a dar os primeiros passos. Os dados são claros, a aposta das renováveis promove o emprego, a inovação científica e tecnológica e o equilíbrio ambiental no presente e no futuro, sendo que Portugal tem potencialidades de exploração de diferentes energias de base renovável.

2.    Espanha está a caminhar para o encerramento das suas centrais nucleares e não para o reavivar desta forma de energia.

3.    Nem os portugueses nem os espanhóis são apologistas desta forma de energia; segundo dados do último eurobarómetro que abordou esta matéria (2), apenas 24% dos espanhóis e 23% dos portugueses são a favor da produção de energia nuclear e mesmo se houvesse uma solução para os resíduos nucleares a situação pouco mudava particularmente em Portugal – apenas 37% dos espanhóis seriam então a favor da energia nuclear, ao passo que o valor para Portugal mantinha-se (24%).

 

O programa de dia 13 de Setembro

 

O local de concentração será junto à estação de comboios de Navalmoral de la Mata, pelas 17h30 (hora portuguesa),

 

De seguida os participantes irão deslocar-se para a povoação de Almaraz, onde a partir daí será realizada uma marcha a pé até ao portão da central nuclear.

 

A Organização da Manifestação 

 

Esta manifestação pelo encerramento da central nuclear de Almaraz conta com a participação das seguintes organizações: Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, Refinería No, Térmicas NO, Ecologistas en Acción Extremadura, Cúriga-Ecologistas en Acción Monastério, ADENEX, AMUS, QUERCUS, CNT- AIT, CGT, C.A.L.A., Aso.Comarcal Jóvenes del Jerte, Aso. Garabato del Piornal, Colectivo Ambroz de Ecología Social, Los Verdes Extremadura, Juventudes Comunistas,  Izquierda Unida, PCEX, Sociedad Zoológica de Extremadura e Ateneu Libertário de Hervás.

 

 

Lisboa, 11 de Setembro de 2008 

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

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1) Conselho de Segurança Nuclear Espanhol, jornal EL PAÍS, Agosto de 2008

http://www.csn.es/

 

(2) Special Eurobarometer 297: “Atitudes towards radioactive waste”, Junho de 2008 

http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_297_en.pdf

 

 

 

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