Pandemia COVID-19: Que impacte ambiental terá o coronavírus?

Será porventura uma situação transitória. E convém não esquecer que, na origem de um provável efeito positivo, está uma notícia péssima e com consequências não mensuráveis para a saúde pública. Uma das consequências inesperadas do surto do novo coronavírus será eventualmente uma melhor qualidade do ar, ainda que este venha a revelar-se um efeito temporário.

 

É um facto que as restrições de viagens aéreas e as limitações de contacto, que implicam naturalmente deslocações de automóvel para lidar com a pandemia do covid-19, resultarão num declínio substancial do consumo de combustíveis fósseis e na redução de gases com efeito de estufa que contribuem negativamente para a qualidade do ar e que influenciam as alterações climáticas.

 

Por outro lado, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou esta semana um relatório segundo o qual a procura global de petróleo deve contrair-se este ano pela primeira vez desde 2009, devido à Covid-19, sendo que estão em causa menos 90.000 barris de petróleo por dia em relação ao ano passado, não ultrapassando os 99,9 milhões de barris por dia.

 

Segundo dados do portal Carbon Brief, no final do mês de fevereiro o consumo de eletricidade e a produção industrial (da China) estava já muito abaixo dos valores comuns, tendo em conta vários indicadores. Estes aspetos levaram a uma queda de pelo menos 25 % nas emissões de dióxido de carbono (CO₂) naquele país, com repercussões, naturalmente, no resto do mundo, uma vez que uma redução de 25% nas emissões da China equivale a uma redução global de 6%.

 

Mas, uma crise de saúde publica está diretamente relacionada com a crise ambiental. E o mais alarmante é que segundo um relatório do “Global Health Security Index” (GHS), atualmente, “nenhum país está totalmente preparado para epidemias ou pandemias”. O que significa que teremos de nos adaptar de forma súbita a esta realidade e em termos ambientais tem um malefício: o consumo exponencial de materiais em plástico descartável, como luvas e máscaras. Pois, se por um lado esta pandemia mostra sinais positivos para o Ambiente por tempo limitado, a necessidade de proteção individual com máscaras e luvas levou ao consumo exponencial de materiais em plástico descartável, que após utilização (em meio hospitalar) terão necessariamente como destino final a autoclavagem e a deposição em aterro, por se tratar de um resíduo com risco biológico. Este aumento exponencial irá resultar certamente num aumento dos resíduos hospitalares do Grupo III, a ser geridos em meio hospitalar, uma vez que é aí que os pacientes estão neste momento a ser atendidos e monitorizados.

 

É importante salientar que a partir do momento que os pacientes passem a ser tratados no seu domicílio, não existirão canais de recolha para estes resíduos, sendo o lixo indiferenciado o destino a ser dado aos mesmos, por falta de alternativa.

 

A corrida aos hipermercados poderá também provocar uma aquisição exagerada de bens perecíveis, que não sendo consumidos no tempo adequado poderá contribuir para a produção de desperdício alimentar.

Esta pandemia, que está a parar o mundo, servirá com toda a certeza para repensarmos os nossos comportamentos e até que ponto conseguimos mudar alguns hábitos na nossa vida, além de contribuir para promover a discussão das políticas ambientais e governamentais adotadas por cada um dos países em matéria ambiental. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que a economia tenha o crescimento mais fraco desde a crise de 2009 devido ao novo coronavírus. O que quer dizer que senão repensarmos as nossas políticas ambientais, mais tarde a recuperação económica poderá, provavelmente, ser ainda mais prejudicial.

 

Com receio de contágio, é provável que haja um recurso ao uso de mais produtos descartáveis, como luvas, máscaras, copos, pratos ou talheres, o que poderá contribuir, inevitavelmente, para o aumento da produção de resíduos, muitos não recicláveis. No caso de não haver risco de casos suspeitos, os copos e os pratos descartáveis poderão ser colocados no ecoponto amarelo, devendo os outros resíduos serem encaminhados para o lixo indiferenciado.

 

Na situação de estar perante um caso suspeito ou confirmado em tratamento no domicílio, todos os resíduos produzidos no tratamento do doente deverão ser colocados em sacos de lixo, residtentes e descartáveis, com enchimento até 2/3 da sua capacidade, fechados, e colocados dentro de um segundo saco devidamente fechado, e encaminhado para o contentor do lixo indiferenciado.

 

O facto das pessoas estarem em isolamento em suas casas não é desculpa para separarem menos lixo e o encaminhar para reciclagem. É normal que haja um aumento da produção de lixo urbano, muito respeitante a embalagens, mas podemos todos participar no seu encaminhamento para os destinos adequados, nomeadamente os ecopontos, incluindo o recipiente para os bioresíduos (contentor castanho), adequado para as cascas e desperdício alimentar.

 

Lisboa, 17 de março de 2020

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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