Quercus pede um olhar diferente sobre a recuperação da Mata Nacional de Leiria | Pinhal do Rei

A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza acompanhou com atenção a discussão na Assembleia da República da petição pública e dos quatro projetos de resolução sobre a adoção de medidas para valorização da Mata Nacional de Leiria.

 

De um modo geral, os quatro projectos de resolução apresentados fazem um diagnóstico geral sobre os problemas e ameaças que a Mata Nacional de Leiria (conhecida como “Pinhal do Rei”) enfrenta, apontado de modo genérico ações para a sustentabilidade e desenvolvimento de planos criteriosos de recuperação, na base das recomendações do Relatório da Comissão Científica de Recuperação das Matas Litorais (RCCRML).

 

Sobre estes últimos dois, a Quercus considera que a recuperação da área florestal pública da faixa litoral (matas nacionais do Pedrógão, Urso, Dunas de Quiaios, Perímetros Florestais de Dunas de Cantanhede, e Dunas e Pinhais de Mira) tem sido demasiado lenta, e com critérios pouco definidos. De acordo com dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), foram efectuadas ações de rearborização (plantações) em apenas 1.093ha, ou seja, apenas 12,6% do total de área ardida (9.478ha).

 

Neste aspecto, desde 2017, através do projeto Criar Bosques, a Quercus tem vindo a realizar inúmeras actividades de gestão florestal nos talhões 57-58 e 65. Actividades na sua maioria de plantação (cerca de 70 mil arvores) em parceria com inúmeras empresas e voluntários que preocupados com a recuperação da mancha verde ali existente.

 

Contudo, a Quercus considera que deve ser dado um passo em frente no que diz respeito à recuperação e rearborização do Pinhal do Rei com espécies autóctones adaptadas à área, devendo para tal ser dado um enquadramento de obra pública de interesse nacional a este investimento. Em concreto, a Quercus considera que a recuperação da Mata Nacional de Leiria deve ser encarada como um projecto integrado no âmbito da descarbonização (fomento e instalação de área de sumidouro de carbono), e na promoção da biodiversidade, por tal, deve assumir especial preponderância no contexto de obra pública.

 

A Quercus apela assim ao Governo que, através dos Ministérios do Ambiente e da Ação Climática, e do Ministério do Planeamento e Infraestruturas, promova o lançamento de um procedimento com o objectivo de recuperar e plantar a Mata Nacional de Leiria com base nos objectivos de sequestro do carbono e promoção da biodiversidade. Para isso propomos que o financiamento inicial deste projecto seja feito utilizandoos 13,6 milhões de euros provenientes da alienação dos 132 lotes existentes nesta Mata Nacional.

 

 

Lisboa, 15 de Novembro de 2019

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

O Núcleo do Ribatejo e Estremadura da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

 

 

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