“Se dividirmos os materiais utilizados num edifício em fatias, 50% são materiais virgens que derivam do petróleo e cuja reciclabilidade é dificultada pela difícil triagem e das condições em obra” salienta Aline Guerreiro responsável pelo Portal da Construção Sustentável e coordenadora do Grupo de Trabalho de Construção Sustentável da Quercus

 

Todos os dias ouvimos falar do mesmo: Economia Circular. E para quando integrarmos este conceito tão atual no setor da construção? Será possível? Sim, é possível reduzindo a utilização de produtos virgens que derivam do petróleo, apostando em práticas de reutilização de materiais, na incorporação de materiais reciclados e recicláveis e na integração de práticas e produtos de origem local.

 

São inúmeras as aplicações de materiais virgens de origem fóssil no setor da construção. Este é um dos setores que maiores impactes ambientais negativos tem sobre o nosso Planeta. É responsável por produzir cerca de 50% de todos os resíduos gerados pelo homem. Grande parte destes resíduos são depositados em vazadouros, recuperações paisagísticas ou aterros sem qualquer valorização ou reciclagem.

 

Só os isolamentos representam cerca de 20% desses materiais. Pois, os mais comummente utilizados são os poliuretanos e os poliestirenos, materiais que mesmo no fim de vida, mesmo que segregados em obra, dificilmente se justifica financeiramente o seu encaminhamento para reciclagem, o que não os permite integrar em novos processos produtivos.

 

É urgente fechar o ciclo na construção! Não queremos fechar as portas ao plástico, mas obrigar a que o mesmo provenha de origens recicladas e cujo uso seja limitado às aplicações onde o mesmo é quase obrigatório, por não haverem alternativas adequadas, como por exemplo aplicações para materiais que estão 24h/dia em contacto com água, nas quais se exige durabilidade, falamos de canalizações ou caixas de autoclismo.

 

O mercado já se atualizou a esta nova era dos materiais mais sustentáveis e circulares, pelo que já existem alternativas  suficientes para justificar uma restrição. Existem em alternativa materiais como a cortiça ou as lãs naturais, ou mesmo poliuretanos ecológicos feitos com recurso à soja e espumas expansoras feitas à base de água, para as aplicações em isolamentos.

 

Mas as ofertas não ficam por aqui, se pensarmos nas caixilharias, as alternativas ao PVC (mais um derivante virgem de petróleo) são muitas, encontramos a madeira, o alumínio ou a fibra de vidro.

 

As políticas ambientais recentes tem apostado numa mudança de paradigma da forma como usamos os nossos recursos, para além de pensarmos no impacte das matérias primas utilizadas, devendo garantir que as mesmas sejam recuperadas e reaproveitadas para novas utilizações. É por isso fundamental passar a palavra, informar e formar profissionais e pessoas mais conhecedoras das diversas alternativas existentes, bem como dos impactes associados a cada material e zelem pela segurança e saúde dos utilizadores dos edifícios.

 

Passamos em média 90% do nosso tempo em espaços interiores pelo que é importante que estes sejam construídos com qualidade construtiva e compostos por materiais que não afetem a saúde e o bem estar dos seus ocupantes, como não tenham impacte para o Ambiente.

 

O que dita a qualidade construtiva de um edifício é sem dúvida o tipo de materiais utilizados e a forma como são especificados em soluções construtivas adequadas. Cada vez mais se assiste à utilização de materiais mais económicos na fase de construção sem atender ao ciclo de vida do próprio edifício.

 

 

Lisboa, 04 de Junho de 2018

 

 

 

 

 

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