Emissões da produção de energia deverão crescer 30% até 2030

Projeções preocupantes da Agência Internacional de Energia

 

agencia intern. energiaSegundo um relatório divulgado recentemente pela Agência Internacional de Energia (AIE) [1], as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) globais associadas à produção de energia deverão aumentar 30% até 2030. Isto implicará um aumento da temperatura média global de 2,7ºC até 2100, estimando-se que seja superior a 3ºC após esta data.

 

Em causa estão principalmente o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (NO2), gases com impacto climático abrangidos pelas metas nacionais de redução das emissões, no âmbito das negociações do Acordo de Paris.

 

Estas conclusões são ainda mais preocupantes se pensarmos que as projeções da AIE incluem apenas as emissões de GEE associadas à produção de energia. Considerando outras fontes de emissão, estas projeções podem estar subestimadas e chegar até, pelo menos, aos 50%.

 

Estima-se que as emissões de GEE, abrangidas pelas Contribuições Nacionais (INDCs - Intended Nationally Determined Contributions), serão um terço mais elevadas em 2030 do que atualmente, podendo atingir um total de 42 gigatoneladas de CO2 equivalente.

 

A subida da temperatura média global, a variabilidade climática, o aquecimento, e acidificação dos oceanos ou ainda a escalada das emissões de carbono causadas por este aumento atual são impactos que poderão perdurar milhares de anos.

 

O mesmo alerta já tinha sido dado em relatórios anteriores do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC). De acordo com os mesmos, este cenário será catastrófico para milhares de milhões de pessoas já em 2050, ameaçando o futuro de toda a humanidade em 2100 e quase de toda a vida na Terra depois de 2100. Ao mesmo tempo, assistimos já a inequívocos sinais da sexta extinção em massa, com o desaparecimento de espécies a uma velocidade 1000 vezes superior à taxa natural.

 

Este relatório da AIE aponta que, para limitar o aumento da temperatura média global nos 2ºC, a produção de energia terá de atingir um pico de emissões globais a curto prazo, que deverão decrescer acentuadamente a partir desse momento. Esta análise considera os cenários mais optimistas e não considera o objetivo mais ambicioso definido no Acordo de Paris de ficar nos 1,5ºC.

 

 

 

Quercus considera escandalosa falta de ambição climática

 

Perante estas evidências, a Quercus considera que é cada vez mais escandaloso que a ratificação (à data de hoje) do Acordo de Paris por 110 partes (representando 70% das emissões globais de GEE) não esteja a traduzir-se em medidas concretas e na revisão das atuais metas climáticas, comprovadamente insuficientes.

 

É urgente alavancar a transição energética para uma economia de baixo carbono, que privilegie o investimento nas energias renováveis e na eficiência energética, ao invés de alimentar o lobby dos combustíveis fósseis ou excluir das negociações setores altamente poluentes, como o transporte marítimo e a aviação internacionais.

 

A União Europeia tem uma oportunidade para mostrar a sua liderança climática e não deixar que a instabilidade do cenário político mundial abale a confiança na persecução dos objetivos selados em Paris.

 

A Quercus estará em Marraquexe até ao final da COP22, no dia 18 de novembro, integrada na delegação oficial portuguesa, enquanto representante das ONGs nacionais de defesa do ambiente e da sociedade civil. A Quercus tem-se feito representar por João Branco, Presidente da Direção Nacional, e Luís Moreira, Coordenador do Grupo de Energia e Alterações Climáticas, que estão a acompanhar os trabalhos, tendo já reunido com o Ministro do Ambiente.

 

Este ano, a Quercus está também representada através de um stand na Green Zone e tem estabelecido inúmeros contactos com outras organizações da sociedade civil de Marrocos e os demais países participantes na COP22.

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 


Notas para os editores:

[1] Relatório da AIE: ‘Energy, Climate Change &
Environment’:
www.iea.org/publications/freepublications/publication/ECCE2016.pdf

 

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