Em Portugal, energia dos oceanos com potencial por alcançar

Estudo diz que oceanos podem assegurar 10% das necessidades energéticas na União Europeia até 2050 

 

mar ondasUm relatório recentemente divulgado pelo Ocean Energy Forum - um grupo de stakeholders criado pela Comissão Europeia em 2014 - revelou que a energia das ondas e das marés poderá suprir até 10% das necessidades energéticas da União Europeia até 2050.

 

Segundo o relatório ‘Ocean Energy Strategy Roadmap’ [1], os oceanos poderão gerar até 350 TWh de eletricidade (um terço dos quais na Europa). Segundo o Comissário Europeu para o Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, Karmenu Vela, tal equivaleria a uma redução das emissões em 276 milhões de toneladas de CO2 por ano.

O aproveitamento da energia das ondas e marés será, de acordo com este relatório, essencial para a UE atingir a meta de cortar as emissões de gases com efeito de estufa entre 80 e 95%, até 2050 comparativamente aos níveis de 1990.

 

 

Para tal, o relatório refere ser essencial:

- A criação de um fundo de investimento de 250 milhões de euros para parques de aproveitamento da energia dos oceanos, que permita que estes projetos vistos como ‘tecnologicamente inovadores’, e portanto com maior risco comercial, possam evoluir das fases de pesquisa, desenvolvimento e protótipos para a demonstração;

- A criação de um fundo de segurança e garantia de 70 milhões de euros para cobrir os riscos que atualmente não são cobertos pelas seguradoras (relacionados com a instalação, avarias ou produção de eletricidade de novos projetos de aproveitamento da energia dos oceanos);

O processo de licenciamento e obtenção de autorizações para estes projetos é outro dos entraves ao desenvolvimento deste tipo de energia renovável, já que torna o processo moroso e dispendioso. A melhoria do planeamento, licenciamento e autorização ambiental são por isso passos essenciais para acelerar o desenvolvimento destas tecnologias.

O referido relatório revela ainda que há uma forte aceitação social relativamente à energia dos oceanos e que com o desenvolvimento destas tecnologias, os custos irão diminuir, permitindo gerar eletricidade mais barata.

O relatório conclui que a energia dos oceanos é um “novo potencial setor industrial', que poderá gerar emprego e riqueza, contribuindo para a segurança energética a um custo razoável e ajudando a alcançar os objetivos climáticos, ambientais e de segurança da União Europeia.

 


Energia das ondas em Portugal

Portugal tem um enorme potencial ainda por explorar em termos de energia dos oceanos, na medida em que 97% do nosso território é marítimo, ultrapassando 40 vezes a dimensão do terrestre. De um total de 3.800.000 km2, 1.600.000 km2 correspondem à ZEE - Zona Económica Exclusiva (que é a terceira maior da Europa) e 2.150.000 km2 à plataforma continental para lá das 200 milhas náuticas.

 

De acordo com a comunidade científica, a costa portuguesa tem potencial para a instalação de 5000 MW de potência em energia das ondas. Refere-se ainda que a concretização e superação deste potencial poderia chegar a assegurar 20% do total de energia elétrica consumida no país.

 

Quanto a projetos nacionais, a Ilha do Pico, nos Açores, já teve em funcionamento uma central pioneira a nível mundial na produção de eletricidade a partir da energia de ondas, de forma regular. Contudo, notícias recentes dão conta do seu abandono, pelos elevados custos de manutenção e falta de financiamento.

 

Na costa continental portuguesa, estava em preparação uma Zona Piloto em São Pedro de Moel (Leiria) para receber projetos de demonstração para aproveitamento da energia das ondas.

 

Já em Peniche, o projeto Waverolller explora o potencial da energia das ondas para a geração de eletricidade, através de um financiamento de 10 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento (BEI), com o apoio do programa comunitário Horizonte 2020.

 

Por outro lado, existe também um enorme potencial de aproveitamento das tecnologias eólicas offshore, tal como demonstra o projeto Windfloat, instalado a 20km de Viana do Castelo. Esta tecnologia inovadora consiste numa turbina eólica montada numa plataforma flutuante, ao invés de colunas ancoradas ao leito do mar, como no offshore convencional, o que permite utilizar a tecnologia em águas mais profundas.

O investimento nestas tecnologias poderá ajudar Portugal a ser mais ambicioso nas suas metas de energias renováveis, reforçando a ideia já defendida pelas organizações de defesa do ambiente de que é possível atingir 100% de eletricidade renovável já em 2030, e acelerar a transição energética dos combustíveis fósseis para a energia limpa, essencial para cumprir os objetivos assumidos no Acordo de Paris.

 

 

Lisboa, 14 de novembro de 2016

 

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

Nota para os editores: [1] Relatório disponível em: Ocean Energy Strategy Roadmap

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