Quercus lembra o desastre do Prestige

Faz 14 anos que se registou um dos piores desastres ambientais de Espanha e Portugal

 

 

prestigeLisboa, 12 de novembro de 2016 - No dia 13 de novembro de 2002, o petroleiro Prestige, de 243 metros, transportava cerca de 77 mil toneladas de combustível (fuelóleo), quando sofreu uma ruptura no casco, ao largo do Cabo Finisterra. Este acabou por afundar-se no dia 19 de novembro, a cerca de 240 km a oeste de Vigo.

 

Pela força das vagas marítimas, um dos tanques quebrou, perdendo o combustível, e fazendo com que a maré negra chegasse às costas da Galiza, do norte de Portugal e do sudoeste de França apenas um dia após o naufrágio do petroleiro. Segundo o relatório da WWF - World Wildlife Fondation, um ano após o naufrágio, quantificou-se em pelo menos 64 mil toneladas de combustível libertado para o mar e, dessas, entre cinco a dez mil continuavam à deriva.

 

Segundo a SEO BirdLife, neste acidente foram registadas um total de 23 181 aves afetadas (73.6% já mortas), recolhidas ao longo da costa Espanhola (84.2%), Francesa (12.2%) e Portuguesa (3.6%). Refira-se que os números apresentados devem ser vistos como valores bastante inferiores aos valores reais de aves afetadas, estimando-se que estes últimos sejam cerca de 5 vezes superiores.

 

prestige animaisEntre as mais de 90 espécies afetadas destaca-se o Arau-Comum (Uria aalge) com 51% do total da mortalidade, seguido da Torda-Mergulhadeira (Alca torda) e do Papagaio-do-Mar (Fratercula artica), cada um com cerca de 17%. A Quercus mobilizou dezenas de voluntários e técnicos para limpeza de fauna dos seus centros de recuperação que participaram nas operações desenvolvidas para a limpeza de fuelóleo das praias e centros de limpeza temporários de aves petroleadas criados na altura na costa portuguesa e espanhola.

 

É importante referir que Portugal se encontra localizado geograficamente numa zona de intenso tráfego marítimo, tendo de imperar um atento controlo marítimo. É uma área onde circulam navios de transporte, de grande e pequeno porte, que representam uma ameaça e uma maior probabilidade de acidentes no mar, colocando em risco a Zona Exclusiva Económica (ZEE) portuguesa.  A Quercus exige que sejam adotadas medidas de segurança como os cascos duplos dos petroleiros para minimizar o eventual impacto em caso de naufrágio em todos os navios que cruzem a ZEE Portuguesa e não apenas os que queiram fundear nas nossas costas e portos conforme os regulamentos da UE.

 

Pretende-se assim alertar para a necessidade de uma melhoria dos sistemas de vigilância, visto que Portugal ainda não se encontra capaz de lidar com uma situação do calibre deste naufrágio. O Simulacro Atlantic Polex.PT, a 20 de outubro, veio revelar isso mesmo, exibindo algumas falhas que devem ser colmatadas.

 

A Quercus alerta também para a necessidade de ter um plano nacional de atuação rápida em situações de emergência que dote as autoridades marítimas com os equipamentos necessários para atuar em caso de desastre e que possa rapidamente mobilizar a sociedade civil para intervir de forma a minimizar este tipo de incidentes.

 

 

 

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