Os peixes migradores no Vouga e a Pesca ilegal

O rio Vouga é uma área de extrema importância para a conservação da natureza albergando um conjunto diversificado de espécies de elevado valor conservacionista. Face à sua importância no contexto internacional, um troço do rio nos concelhos de Águeda, Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga encontra-se inserido na Rede NATURA 2000 – Sítio de Importância Comunitária do Vouga (Resolução de Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28 de Agosto e Portaria n.º 829/2007 de 1 de Agosto).

 

Entre as espécies para as quais este Sítio assume uma extrema importância, contam-se as espécies piscícolas migradoras Sável (Alosa alosa), Savelha (Alosa fallax) e Lampreia (Petromyson marinus), todas elas espécies constantes do Anexo II da Directiva Habitats (Decreto-Lei n.º 49/2005 de 24 de Fevereiro). Estas espécies sobem o rio Vouga para completar o seu ciclo de vida, desovando nos locais mais favoráveis para o efeito.

 

No caso do rio Vouga, a Lampreia começa a chegar ao estuário em Janeiro, subindo o rio até Maio, enquanto que o Sável, chegando um pouco mais tarde (Fevereiro/Março), prolonga a migração até Junho, pelo que neste período são muitos os pescadores que se dedicam à pesca destas espécies.

 

Segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, a Lampreia e a Savelha são espécies com estatuto de ameaça “Vulnerável”, enquanto que o Sável possui o estatuto “Em Perigo”, pelo que é urgente tomar medidas em prol da sua conservação. Estas medidas passam sobretudo pela conservação e manutenção da qualidade ecológica dos cursos de água onde desovam e pelo condicionamento da pesca nesses locais.

 

A Lampreia e o Sável além de possuírem um elevado interesse conservacionista, são espécies com um elevado valor económico, sendo muito apreciadas gastronomicamente. No entanto, o elevado valor económico que atingem leva a que muito frequentemente sejam alvo de capturas ilegais.

 

No rio Vouga, em anos transactos foram frequentes as notícias de diversas ilegalidades cometidas na captura destas espécies, quer com recurso a redes, quer utilizando a fisga e focos durante a noite (técnica proibida). A intensidade das capturas é de tal forma elevada que poderá colocar em causa a manutenção das populações neste Sítio.

 

De forma a dar um contributo para a protecção destas espécies e para a conservação do Sítio do Vouga, o Núcleo Regional de Aveiro da Quercus - A.N.C.N enviou uma nota a diversas entidades públicas com responsabilidades, quer na conservação directa dos recursos, quer na fiscalização, a alertar para a ocorrência de ilegalidades na captura destas espécies.

 

Em prol da conservação da natureza em geral e dos recursos em particular, e de forma a tornar sustentável a exploração destas espécies, esperamos que a captura ilegal seja devidamente controlada e erradicada das águas do rio Vouga.

 

 

Aveiro, 5 de Março de 2009

 

A Direcção do Núcleo Regional de Aveiro da Quercus - A.N.C.N.

 

 

 

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