Rios de Portugal com Má Qualidade

No Dia Nacional da Água a QUERCUS divulgou os resultados de um estudo sobre a qualidade da água nos rios de Portugal com o objectivo de alertar para a urgência de uma gestão adequada das bacias hidrográficas do país e da implementação de medidas que eliminem os focos de poluição.´A manutenção da qualidade dos rios é fundamental para a preservação dos ecossistemas aquáticos, de modo a garantir o abastecimento de água às populações (em Portugal cerca de 60% é assegurado pelos recursos superficiais - IRAR, dados de 2006) e cumprir a Directiva-Quadro da Água.

 

O estudo analisou vários parâmetros, que permitem inferir sobre a qualidade da água (temperatura, oxigénio dissolvido, condutividade, turvação e pH), em 20 pontos de 14 troços de água de norte a sul do país com recurso a um medidor portátil Multiparamétrico HI9828 e um Medidor Portátil de Turvação HI98703 Hanna Instruments, gentilmente cedidos pela Hanna Instruments Portugal.

 

Dos resultados obtidos neste estudo 30% revelaram má (25%) ou muito má (5%) qualidade, 40% com qualidade razoável e apenas 30% com qualidade boa (20%) ou excelente (10%). Em 70% dos casos (qualidade muito má, má e razoável) a qualidade da água não reúne as condições ideais para o desenvolvimento da vida piscícola pelo que do ponto de vista da conservação da biodiversidade o panorama é ainda mais preocupante.

 

Os resultados obtidos pela Quercus neste estudo são corroborados pelos valores obtidos em 2007 pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (http://snirh.pt), os quais revelam que 36% dos pontos monitorizados nos rios portugueses apresentaram água de qualidade má (20%) ou muito má (16%), 38% com qualidade razoável e 26% com qualidade boa (24%) ou excelente (2%).

 

De acordo com o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, a qualidade das águas superficiais portuguesas tem vindo a apresentar resultados preocupantes ao longo dos últimos anos. Em 2003, mais de 25% das análises à água dos rios revelaram boa qualidade de água, tendo subido para 35% e em 2004; no entanto, em 2005, a percentagem para a qualidade boa diminuiu para cerca de 19%. Em 2004, 1% apresentava água de excelente qualidade, mas em 2005 voltou a 0%. A água de qualidade muito má aumentou de 10,8% em 2003 para 23,5% em 2005. A água de qualidade razoável atingia mais de 41% em 2003, diminuindo para 38% em 2004 e para apenas 31% em 2005, tendo aumentado a percentagem de água com muito má qualidade. Em 2006, a qualidade razoável voltava a estar presente em 38% dos pontos monitorizados e a qualidade má ou muito má atingia o valor de 39%, restando apenas pouco mais de 20% para a qualidade boa ou excelente.

 

Significado da classificação:

 

EXCELENTE - Água com qualidade equivalente às condições naturais, aptas a satisfazer potencialmente as utilizações mais exigentes em termos de qualidade.

BOA - Águas com qualidade ligeiramente inferior à excelente mas podendo também satisfazer potencialmente todas as utilizações.

RAZOÁVEL - Água com qualidade aceitável, suficiente para irrigação, para usos industriais e produção de água potável após tratamento rigoroso. Permite a existência de vida piscícola (espécies menos exigentes) mas com reprodução aleatória; apta para o recreio sem contacto directo.

MÁ - Águas com qualidade medíocre apenas potencialmente aptas para irrigação, arrefecimento e navegação. A vida piscícola pode subsistir mas de forma aleatória.

MUITO MÁ - Água extremamente poluída e inadequada para a maioria dos usos.

 

 

Lisboa, 1 de Outubro de 2008

 

A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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