Dia da Terra – 22 de Abril

[19/04/2002] Se no mundo todos vivessem como os portugueses, precisaríamos de 2,5 planetas Terra

 

“Pegada ecológica” de Portugal é excessiva

 

Proteger a Terra começa por compreendermos o nosso impacto individual e colectivo no planeta. A pegada ecológica é uma metodologia proposta por vários cientistas e consignada como um importante instrumento de avaliação do impacte ambiental de cada indivíduo e/ou de cada país, quer por diversas organizações não governamentais, quer pelas Nações Unidas. A pegada ecológica mede quanto espaço e água é necessário para produzir os recursos que consumimos e depositarmos os resíduos que produzimos. Neste momento, a humanidade já excedeu a capacidade que a natureza tem para nos oferecer os recursos que necessitamos, sendo que as consequências sociais, económicas e ambientais são claramente visíveis em várias partes do mundo.

 

No caso de Portugal existem pelo menos três estimativas de entidades diferentes (UNESCO para o ano de 1995, WWF – World Wildlife Fund for Nature para o ano de 1996 e Earth Day Network, estimativa actual), que confirmam o facto do modo de vida dos portugueses conduzir a uma pegada ecológica por habitante entre 3,7 e 5,8 hectares, quando a pegada ecológica para a população mundial não deveria ultrapassar 1,8 a 2,2 hectares. Fazendo apenas as contas ao espaço e recursos do nosso país, a pegada ecológica para a população portuguesa não deveria ultrapassar 1,8 hectares por habitante. Os números, apesar de terem sido calculados por diferentes organismos, indicam igualmente para Portugal um aumento da nossa pegada ecológica nos últimos anos. Se extrapolarmos este resultado para a escala mundial, podemos dizer que se toda a população mundial tivesse a mesma pegada ecológica que os portugueses, seriam necessários 2,5 planetas Terra. É a partir destes números, que resultam em grande parte do consumo de energia de combustíveis fósseis gastos nas deslocações por automóvel e produção de electricidade e considerável importação de bens de consumo - quer alimentares, quer de outros - que acabamos por apresentar um resultado desfavorável, colocando-nos no ranking mundial como um dos 35 países com maior pegada ecológica a nível mundial.

 

Mais detalhes em:

 

http://www.unesco.org/education/tlsf/theme_b/mod09/uncom09t05s02.htm

http://www.panda.org/livingplanet/lpr00/downloads/lpr_2000_eco_crop_graze.pdf

http://www.earthday.net/footprint.stm

 

Quercus quer presença do Primeiro-Ministro e do Ministro do Ambiente na Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Joanesburgo 2002)

 

Terá lugar entre 26 de Agosto e 4 de Setembro de 2002 a Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo. Dez anos depois da Cimeira das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento que teve lugar no Rio de Janeiro (a ECO/92), um conjunto de temas merece desde já atenção, naquela que será uma das mais importantes reuniões com participação de líderes à escala mundial após a conferência recentemente realizada em Monterrey, México. Entre os temas até agora seleccionados contam-se:

 

- a erradicação da pobreza;

- a modificação dos padrões insustentáveis de consumo e produção, a protecção e a gestão dos recursos naturais como base para o desenvolvimento económico e social (especial atenção neste capítulo às águas doces, oceanos e mares, alterações climáticas, poluição do ar, agricultura sustentável, desertificação, biodiversidade e florestas);

- o desenvolvimento sustentável num mundo de globalização;

- a saúde e o desenvolvimento sustentável;

- o desenvolvimento sustentável dos Estados cujo território são pequenas ilhas;

- iniciativas de desenvolvimento sustentável para a África;

- os meios de implementação (finanças, comércio, transferência de tecnologia, ciência e educação, mobilização da sociedade e informação para decisão) e ainda

- fortalecimento da governação para o desenvolvimento sustentável aos níveis nacional, regional e internacional.

 

Dadas as presenças já confirmadas de vários Primeiro-Ministros nesta Cimeira, como é o caso de Tony Blair, espera-se que o Governo Português também esteja representado ao mais alto nível, com a participação do Primeiro-Ministro e do Ministro do Ambiente.

 

No Dia da Terra, lembrar a necessidade de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Portugal

A Estratégia de Desenvolvimento Sustentável Portuguesa encontra-se neste momento na fase final de elaboração, sendo o Instituto do Ambiente o responsável por este processo, contando para tal com as contribuições de diversos Ministérios e organismos do Estado (pelo menos assim se espera). Este é um processo que noutros países da União Europeia já há muito tempo teve lugar, havendo mesmo países que já estão em fase de revisão da sua Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (como é o caso da Finlândia e da Dinamarca). O facto do processo de preparação ter tido um início tardio e um período de desenvolvimento verdadeiramente surpreendente (o que outros países europeus levaram por vezes anos a criar, Portugal pretende fazer em dois meses), para além de existirem compromissos assumidos quanto à data de apresentação da Estratégia Nacional, não deverá servir de desculpa para eliminar o processo de consulta pública, que é o mínimo que se pode exigir neste momento.

 

De facto, a elaboração de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável sem a participação activa dos diversos sectores da sociedade civil desde o primeiro momento, é não só inaceitável como não deixará de ter reflexos na qualidade do documento produzido. É fundamental que este documento conheça, eventualmente após a Cimeira da Terra, um desenvolvimento mais detalhado e um acompanhamento participado e contínuo.

 

Um contributo pelo ambiente

 

O Dia da Terra deverá também servir como um momento de reflexão para todos nós enquanto cidadãos, sobre o peso que as nossas decisões do dia-a-dia, sobre a forma como as nossas rotinas contribuem para um desenvolvimento muito pouco sustentável. Num mundo globalizado é difícil ter a noção do ciclo de vida de muitos dos produtos que adquirimos ou usamos no nosso dia a dia. Uma maior exigência ao nível da quantidade e qualidade da informação que nos é facultada enquanto consumidores e cidadãos, mas também a adopção de uma postura mais activa na procura dessa mesma informação e na adopção de práticas mais responsáveis, são passos fundamentais para que cada um de nós possa ser um verdadeiro cidadão do mundo ao contribuir diariamente para o desenvolvimento sustentável ao nível local, regional, nacional e global.

 

Duas actividades simbólicas da Quercus no Dia da Terra

 

No âmbito do Dia da Terra o Núcleo de Beja da Quercus-ANCN apresenta e divulga as suas novas instalações nesta cidade num espaço designado por CIAAB - Centro de Informação e Animação Ambiental de Beja. Neste espaço existe um Centro de Documentação, loja do ambiente, áreas de exposição e um pequeno auditório, possibilitando o apoio a actividades de informação e animação ambiental às escolas e à população em geral. Este centro está situado na rua Afonso Costa (vulgo rua das lojas), nº 62, em pleno centro histórico desta cidade. Na manhã do dia 22 decorrerão actividades de educação ambiental com um grupo escolar que se deslocará ao local.

 

No sentido de promover o debate sobre o Desenvolvimento Sustentável a Quercus está a preparar uma Página da Internet sobre a Cimeira da Terra a realizar em Joanesburgo no Verão de 2002, que estará disponível no Dia da Terra (http://www.quercus.pt/rio10/). Para além da disponibilização de vários conteúdos e de links úteis sobre esta matéria, pretende-se ainda desenvolver um espaço de discussão, o levantamento das opiniões sobre as acções a encetar para atingir um desenvolvimento sustentável e a possibilidade de cálculo da pegada ecológica (em fase de preparação).

 

Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Lisboa, 19 de Abril de 2002

 

 

 

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