• Centro de Informação de Resíduos

    Informe-se aqui sobre o trabalho e as áreas de intervenção do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, existente desde 1995.

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Posição do GEOTA e da Quercus sobre o Plano de Recuperação Ambiental do Ecoparque de Trajouce

residuosA TRATOLIXO encontra-se a desenvolver um Plano de Recuperação Ambiental do Ecoparque de Trajouce, adiante designado por PRAET, O PRAET diz respeito a um conjunto de ações de reabilitação das quais se destaca o saneamento de um depósito de resíduos de natureza diversa, de volume estimado em 200 000 m3, aproximadamente.


De acordo com um estudo a DHV (2009), no período de 2003 a 2005, foram colocados resíduos de natureza diversa, num local não impermeabilizado, existente na zona central da instalação, designado por Depósito de Resíduos. Este depósito seria constituído por materiais de natureza variada, designadamente: de origem vegetal, de demolição, solos, rochas, rejeitados leves e pesados da afinação do composto e outros indeterminados, que se estende por uma área global de cerca de 5,7ha, com um volume total de cerca de 194 600m3 de materiais de excedentes da escavação das obras do aterro e de resíduos diversos, com uma espessura média de cerca de 3,4m. O depósito de resíduos é constituído na base por uma camada de materiais de natureza calcária, com um volume aproximado de 79 500m3. Superiormente encontram-se depositados resíduos de natureza diversa, com um volume de cerca de 115 100m3.

De acordo com a metodologia que nos foi comunicada e à tutela (APA), a remoção de resíduos está a ser efetuada por setores de forma a melhor individualizar as diferentes tipologias de resíduos existentes no depósito, sendo que, de um modo geral, e atendendo às tipologias de resíduos a remover, a caracterização físico-química e a análise pericial do pessoal especializado que acompanha a remoção, fiscalizada pela EGIAMB, será suficiente para a indicação do destino final.

Pela informação disponibilizada, os trabalhos de remoção de resíduos no âmbito do PRAET tiveram o seu início no dia 17 de setembro de 2012.

Em setembro, a média de resíduos transportados, segundo a TRATOLIXO, foi de 402 t/dia e no mês de outubro subiu para 526 t/dia. A quantidade de resíduos expedidos para destino final, até ao dia 26.10.2012, foi de 13 539,08 toneladas repartidas entre aterros de inertes e de resíduos não perigosos.
Dos resíduos removidos foram realizadas caracterizações físico-químicas, às quais o GEOTA teve acesso por via documental pela informação fornecida em papel durante as reuniões de acompanhamento de novembro e dezembro de 2012, às diferentes fracções obtidas do processamento dos lotes de inertes e de não perigosos.

Os trabalhos do PRAET em Trajouce foram interrompidos em dezembro de 2012, devido às condições climatéricas adversas e a dificuldades financeiras. Os trabalhos associados ao PRAET foram retomados em pleno no dia 2 de setembro de 2013.

Aproveitando o interregno, foram realizados em junho de 2013 ensaios de crivagem, com o objetivo de testar a possibilidade de desagregar os resíduos escavados e obter frações distintas que pudessem ser eventualmente reutilizadas in situ, reduzindo assim, de forma muito significativa, as quantidades que precisassem de ser enviadas para destino final adequado (aterro de resíduos inertes, não perigosos ou perigosos, conforme a respectiva classificação dos lotes), com a correspondente redução dos custos de transporte e deposição.

"No atual processo é realizada uma triagem dos resíduos e são obtidas três fracções distintas, criteriosamente analisadas do ponto de vista físico e químico, sendo posteriormente encaminhados para destino final ou reutilizados localmente, conforme os resultados das referidas análises realizadas por laboratórios independentes (Alcontrol Laboratories – Holanda e ALS – Republica Checa), privilegiando-se sempre que possível a última solução no âmbito do interesse ambiental e da hierarquia dos resíduos."[URL: http://www.tratolixo.pt/Comunicacao/Paginas/PRAETEcoparquedeTrajouceemCurso.aspx]

Há 4 setores a tratar, sendo que o setor 1 (o de maior área) se encontra quase concluído.

A intervenção em curso representa cerca de 50% do total da área a sanear, e os trabalhos deverão decorrer até final do mês de outubro, evitando-se o período de chuvas, de acordo com a mesma fonte.

As análises de caracterização físico-química dos materiais já movimentados e crivados do sector 1 apontam para que:
- 60% das 40 000 toneladas de materiais ainda a tratar, constituindo a fração de granulometria inferior a 25mm, e que não apresentam qualquer contaminação, de acordo com as Normas de Ontário, possam ser reutilizados in situ;
- 15%, de granulometria entre 25mm e 60mm, sejam classificados como inertes, com destino para aterro de inertes;
- 25% da fração de granulometria superior a 60mm seja constituído por pedras e terras, bem como alguns troncos de madeira. Parte das pedras poderá ser utilizada na fundação dos materiais a reutilizar in situ.

Considerando os resultados, o modelo técnico da operação que nos foi apresentado pela Tratolixo permitirá a conclusão da remoção de resíduos do setor 1 (cerca de 40 000 toneladas) sendo expectável que permaneça na instalação a fração infra 25mm e parte da fração supra 60mm, a realizar ainda durante a época seca, para remodelação de terrenos, deixando em aberto a possibilidade de britagem das pedras, caso economicamente viável.

Esse modelo de operação para o setor 1 recolheu o nosso acordo.

Salvaguardamos a posição relativamente aos setores 2,3 e 4, os quais ainda não foram saneados.

Os trabalhos do PRAET retomados de acordo com o novo modelo técnico poderão traduzir-se numa redução de custos do passivo ambiental na ordem dos 75% face aos montantes previstos, anteriormente orçados em cerca de 3,5 Milhões de euros, segundo a Tratolixo.

Face ainda aos resultados obtidos, à responsabilidade ambiental demonstrada pela empresa Tratolixo, à forma transparente como tem partilhado os resultados e o acesso aos trabalhos do PRAET e ainda, pelas análises de caracterização físico-química dos resíduos removidos e triados pela Tratolixo no âmbito do PRAET, realizadas por entidades de referência, pela fiscalização da empresa EGIAMB, e pelo acompanhamento que a tutela (APA e CCDRLVT) têm dado a este processo, é nossa recomendação que a tutela proceda ao desagravamento da classificação de "crime ambiental" sobre o Depósito de Resíduos de Natureza Diversa do Ecoparque de Trajouce, da Tratolixo, EIM, S.A.
Esse desagravamento é extremamente importante para a empresa poder vir a concorrer a fundos do próximo quadro comunitário, visando o saneamento ambiental e a recuperação da totalidade do Ecoparque de Trajouce, sob gestão da Tratolixo, matéria que consideramos dever ser classificada de Interesse Público.

Lisboa, 2 de outubro de 2013

 

quercus geota 

 

 

 

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