A exploração agrícola e florestal é actualmente a principal ocupação do solo, sendo os ecossistemas fortemente moldados por estas actividades, que, por consequêcia, correspondem às actividades humanas com maior impacto sobre a biodiversidade. Uma agricultura e silvicultura sustentável podem ser os alicerces de sistemas ecológicos saudáveis e diversos. No entanto, estes mesmos sectores podem também constituir as principais ameaças à preservação da vida selvagem, da qualidade do solo e das águas.
Existem mais de uma centena de definições de agricultura sustentável, mas como se trata de um conjunto de práticas e orientações muito complexas não é possível dizer sobre nenhuma definição: “esta é que é a definição certa!”. A dificuldade principal é que o termo “sustentável” está a ser usado para tudo, passou a significar algo como “bom” – ninguêm se opõe ao que é “bom ou “sustentável” - mas todos usam o termo para aquilo que eles pessoalmente acham que é bom ou para o que querem fazer passar por bom!...
Tal como agricultura sustentável tem muitas definições, existem também várias correntes dentro da agricultura sustentável, focando em aspectos teóricos e práticos um pouco distintos. Aqui explica-se o que caracteriza as correntes principais.
A agricultura industrializada é caracterizada pela mecanização do trabalho agrícola e a dependência de factores de produção externos, alheios à exploração agrícola, tal como combustíveis fósseis, fertilizantes e pesticidas. A modernização da agricultura, que corresponde à industrialização da agricultura, baseia-se na perspectiva de que o sector agrícola não difere significativamente de outras indústrias, sendo necessário racionalizar o uso de recursos com vista a alcançar uma maior eficiência nos processos de produção.
Todos os países desenvolvidos possuem políticas específicas para apoiar o sector agrícola. No caso da união Europeia, a emergência de uma política agrícola comum a todos os estados membros data mesmo dos primeiros dias da formação da comunidade económica, nomeadamente, está prevista no Tratado de Roma de 1957, entrando em vigor em 1962.
Pode-se distinguir duas origens da agricultura sustentável em Portugal. Por um lado temos os sistemas agrícolas tradicionais, localmente adaptados que nos sobram do passado. Estes sistemas ocupam cerca de 35% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU) em Portugal, ou seja 2,74 milhões de hectares (Pretty, 1998). Correspondem sobretudo a áreas de montado e de pastoreio livre nas montanhas. Por outro lado, temos explorações que foram, mais recentemente, convertidos para formas de agricultura sustentável, nomeadamente para o modo de produção biológico.
Antes do advento da agricultura industrializada, uma grande diversidade de plantas e animais eram criados na mesma exploração. As variedades estavam adaptadas às condições ambientais em que a exploração se enquadrava. A diversidade produzida servia para assegurar a produção em caso de pragas ou condições climáticas invulgares, pois, havendo uma grande diversidade há sempre algumas variedades que resistem melhor que outras.