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TV / Internet por subscrição tem custos ambientais MUITO significativos
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TV / Internet por subscrição tem custos ambientais MUITO significativos
Saiba porquê e o que é preciso fazer
A subscrição de televisão por cabo, por rede telefónica ou por satélite requer um conjunto de aparelhos na casa do consumidor para permitir o acesso ao serviço e também já a gravação de programas. Estes aparelhos, alguns deles conhecidos como “boxes”, apresentam uma potência de funcionamento relativamente reduzida. Porém, como estão permanentemente ligados e o consumo em standby não é significativamente menor, conduzem a um valor total de consumo de energia eléctrica significativo.
A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza efectuou um conjunto de medições e cálculos e chegou à conclusão que os serviços de subscrição de televisão (habitualmente conjuntos com internet e/ou telefone) podem representar um custo em electricidade para as famílias superior a 50 euros/ano, representar mais de 10% do consumo de electricidade de um agregado familiar médio e mais de 1% do total de consumo de electricidade do país (600 GWh em relação ao total 50,5 mil GWh consumidos em 2008).

Este consumo traduz-se numa emissão de aproximadamente 300 mil toneladas/ano de dióxido de carbono, principalmente gás de efeito de estufa causador das alterações climáticas e representa 0,5% das emissões base para cumprimento por Portugal do Protocolo de Quioto).

Como comparação, os serviços de subscrição de duas televisões e internet podem equivaler ao gasto de electricidade de:

−    5 lâmpadas economizadoras de 11 W ( equivalente a lâmpadas incandescentes de 60W) permanentemente ligadas;
−   2 frigoríficos de classe eficiência A+ (o frigorífico é o electrodoméstico que tradicionalmente mais electricidade consome em casa);
−    1 aquecimento a óleo de 1500 W ligado durante cerca de 285 horas (ou ligado durante 4 horas, durante mais de dois meses de Inverno).

Os cálculos

A Quercus efectuou medições dos diferentes consumos em duas situações típicas de agregados familiares correspondendo a duas empresas que oferecem serviços de subscrição (Meo e Zon). Em ambos os casos foi considerada uma situação considerada típica (duas televisões e internet), sendo que estes casos podem estar sub ou sobreestimados, dado que poderá haver apenas um televisor, nuns casos, e noutros três televisores, no mesmo agregado familiar. Também há situações em que não há subscrição do serviço de internet, mas pode haver subscrição do serviço telefónico, geralmente portátil, também com consumo energético associado.

Considerou-se a pior situação em termos de consumo como aquela em que os equipamentos estão sempre ligados. Efectivamente, se aqueles que for possível colocar em standby estiverem nesse estado, a diferença também é diminuta (6 a 17% menos). No cálculo das emissões de dióxido de carbono, utilizou-se o valor oficial mais recente publicado em 2008, de 470 g/kWh produzido. Todos os dados estão presentes em anexo.

Considerou-se, um consumo médio anual de electricidade de uma família (com base numa amostragem recente de várias centenas de agregados familiares pela Quercus no âmbito do projecto Ecofamílias) de 3330 kWh/ano.

O número total de assinantes do serviço de TV por subscrição considerado foi de 2,3 milhões de acordo com dados da ANACOM, tendo-se admitido um consumo médio idêntico ao calculado nos casos dos serviços Meo e Zon Tryple-Play (abrangendo os dois um total aproximado de 725 mil clientes) e de 200 kWh/ano para os restantes.

Reduções de 80% de consumo são possíveis

Considerando uma utilização média de quatro horas por dia de televisão e de oito horas de internet, se o equipamento for desligado durante o resto do tempo, tal garantirá uma poupança da ordem dos 80% no consumo de energia. Este pressuposto assume que não há gravação de programas noutras horas. O desligar do equipamento pode ser facilmente efectuado através de tomadas com corte de corrente, tendo no entanto os consumidores de assumir um papel activo neste esforço de poupança. Tal poderá representar uma redução de custos que pode atingir os 40 euros por ano.

Quercus quer atitude activa da ANACOM e empresas fornecedoras de serviços

A Quercus dá hoje conhecimento destes resultados nomeadamente à Portugal Telecom, Zon, SonaeCom e Cabovisão, entre outras, bem como ao regulador (ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações), com o objectivo das empresas:

−    informarem os actuais clientes dos procedimentos que podem e devem tomar para poupar electricidade sem um prejuízo significativo na qualidade do serviço;
−    prepararem informação acessível a ser entregue aquando da instalação junto de novos clientes;
−    comercializarem equipamentos com menores consumos de energia e funções automáticas de poupança, em linha com as orientações de Directivas Europeias existentes.

Lisboa, 30 de Julho de 2009

A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza



ANEXO


Dados base dos cálculos recorrendo a medições através do equipamento EnergyCheck 3000 da Conrad


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