Hélder Spínola*
A produção de lixo no mundo continua a crescer e nos países mais desenvolvidos a média por pessoa já atingiu os 2 quilos por dia. Na União Europeia a produção de lixo não pára de aumentar e prevê-se que até 2020 cresça em 50% atingindo por ano cerca de 680 quilos de lixo por pessoa. Esta grande quantidade de resíduos, mesmo quando é recolhida e enviada para eliminação através de deposição em aterros ou incineração, acaba por provocar inúmeros prejuízos ao ambiente e à saúde pública.
Nos países em desenvolvimento a produção de lixo por dia é inferior a 1 quilo por pessoa, sendo mesmo nalguns casos inferior a 300 gramas. No entanto, porque metade da população urbana nos países mais pobres não é servida por sistemas de recolha e tratamento dos seus resíduos, cerca de 5 milhões de pessoas, a maioria crianças, morrem anualmente devido a doenças relacionadas com o lixo.
Portugal nas últimas duas décadas aumentou em 125% a sua produção de resíduos, atingindo actualmente uma produção de 5 milhões de toneladas de lixo doméstico por ano, o que corresponde a mais de 1,3 quilos por dia por cada um de nós. Estes resíduos são na sua maioria colocados em aterros sanitários (63%), sendo os restantes incinerados (21%), reciclados (9%) ou submetidos a um processo de compostagem (7%).
Apesar de ser um tema debatido já há muito tempo, o lixo continua a ser um grave problema cuja solução passa inevitavelmente por todos nós, quer no que diz respeito à prevenção na sua produção quer no esforço cada vez maior que é necessário fazer ao nível da reciclagem.
*Presidente da Direcção Nacional da Quercus |